Campanha de Prevenção a Gravidez na Adolescência

Campanha de Prevenção a Gravidez na Adolescência

Campanha visa reduzir altos índices de gravidez precoce no Brasil

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) e o Ministério da Saúde (MS) lançaram nesta segunda-feira (3) a campanha “Adolescência primeiro, gravidez depois – tudo tem o seu tempo”.

A proposta tem o objetivo de reduzir os altos índices de gravidez na adolescência que, no Brasil, estão 50% acima da média mundial. A cada mil meninas, 46 se tornam mães adolescentes. Na América Latina, o índice é de 65,5. Já no Brasil, o número sobe para 68,4. Atualmente, mais de 434,5 mil adolescentes se tornam mães por ano no país.

A ministra do MMFDH, Damares Alves, falou sobre a iniciativa. “Estamos há um ano conversando sobre isso, porque precisamos mudar os números que estão postos. Buscamos inúmeras propostas, conversamos com todos: especialistas, pais, adolescentes. Conversamos e tivemos a coragem de falar sobre retardar o início da vida sexual, incluindo esse tema em toda a gama de métodos preventivos que já existem”, disse.

Para Damares, estamos diante de um problema de saúde pública. “Não é um assunto moral, nem tão somente de comportamento. Há muitas coisas que nos dividem e separam, mas a vida precisa nos unir. Eu acho que todos concordam com isso, então precisávamos fazer alguma coisa”, explica.

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Abandono escolar

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, apresentou consequências da gravidez precoce. “Cerca de 66% dessas gestações não são planejadas e 75% dessas mães de 11 a 16 anos abandonam a escola. O abandono escolar aumenta a mortalidade infantil, gera pobreza e se torna um ciclo vicioso que precisa, de alguma maneira, ser abordado”, afirmou.

O Ministro também lembrou que “a paternidade ou a maternidade é muito pouco exercida nesses casos. Essas crianças muitas vezes são repassadas para as avós, que assumem, pois os pais também são crianças”. E continuou: “É preciso refletir, pensar, olhar o momento da vida, conversar com a família, com os amigos, para ter uma maternidade e uma paternidade responsáveis”.

Métodos contraceptivos

Ainda de acordo com o Ministro, “é muito mais difícil uma menina de 12 anos ou um menino de 13, 14 anos irem até uma unidade de saúde para solicitar um anticoncepcional, um método contraceptivo. A pressão que eles sofrem nas comunidades para serem aceitos ou serem sexualmente ativos e, assim, poderem pertencer, é muito grande. Tudo isso apareceu nas nossas pesquisas”, relatou.

A ministra Damares Alves também falou sobre métodos preventivos como, por exemplo, a pílula do dia seguinte. “Estamos vendo um uso exagerado desse método. Daqui a 20 anos, quantas mulheres poderemos ter no Brasil com câncer de mama ou outras doenças geradas pelo uso exagerado da pílula do dia seguinte? Precisamos conversar com essas meninas”, apontou.

Polêmica

Sobre a polêmica de que a campanha teria a finalidade de impor abstinência sexual, o Mandetta foi claro: “Isso foi uma interpretação, porque em nenhum momento foi falado sobre proibição. O que foi dito é: há tempo para tudo, adolescência não combina com gravidez”.
Quando questionada sobre o assunto, a ministra Damares afirmou que o governo está construindo um plano nacional de prevenção ao sexo precoce, que será apresentado em momento oportuno.

“Esta campanha é um início, estamos ouvindo todo mundo. Queremos falar também das outras consequências do sexo precoce. O sexo precoce não traz apenas gravidez e DSTs. Existem outras doenças físicas graves para uma menina de 11 anos, um menino de 10 anos. Existem doenças emocionais, depressão, baixa autoestima, e nós vamos apontar todas as outras consequências do sexo precoce”, relatou a ministra.

“Temos excelentes técnicos no nosso Ministério, no Ministério da Saúde, no Ministério da Educação. Todos estarão envolvidos nesse processo. Vamos oferecer cartilhas, promover rodas de conversas com os adolescentes, vamos convidar a arte, a música, para fazerem parte”, esclareceu.

Para encerrar, a ministra fez um pedido: “Nossos jovens e adolescentes são seres pensantes. Não vamos colocá-los em uma manada, como se fossem movidos apenas pelo instinto sexual. São meninos e meninas que pensam, e que estão a fim de refletir, acreditem nisso. Vamos cuidar dos nossos jovens e adolescentes”, concluiu.

Fonte: Ministério da Mulher, da família e dos direitos humanos.

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